sexta-feira, 29 de junho de 2012

Como elaborar um roteiro

Para começar... 

O documentarismo consagrou-se mais pela prática de sua produção e experimentação que pela atribuição formal de seu conceito, principalmente porque impõe poucos critérios limitantes quanto à exploração de sua linguagem e formas de expressão. Mesmo assim, estudiosos abordam conceitualmente o documentário desde sua origem, com o surgimento do cinema. 
O precursor do termo documentário foi o escocês John GRIERSON (1979), pioneiro no estudo do documentarismo e criador da Escola Britânica de Documentários, conhecida como a primeira no mundo a se dedicar ao estudo do assunto. Grierson foi responsável pelo reconhecimento da produção fílmica enquanto produção autoral específica, conforme entendemos atualmente, na Inglaterra dos anos de 1930.
Richard Barsam (1974, p.1) definiu como gênero documentário aquele cujos “filmes registram, em película, fatos que ocorrem naturalmente em frente à câmera ou que são reconstruídos com sinceridade e por necessidades devidamente justificadas” enquanto, para Willian Guym, “se trata de uma ficção que tenta esconder a sua ficcionalidade” (GUYM Apud EITZEN, 1995, p.82). 
Manuela Penafria é uma autora contemporânea que reforça os aspectos sobre o registro da realidade ao afirmar que “o filme documentário é aquele que, pelo registro do que é e acontece, constitui uma fonte de informação para o historiador e para todos os que pretendem saber como foi e como aconteceu” (PENAFRIA, 1999, p.20). [...] 
O documentário surgiu com o advento do cinema (em 1895), e pode-se também entender que o cinema surgiu com o filme documentário, já que as primeiras filmagens registravam cenas do dia a dia da sociedade e indivíduos. 
Será entendido como documentário, portanto, toda forma de registro e mediação da realidade humana nos diferentes suportes e meios considerando a incorporação das diversas formas de linguagem e suas particularidades intrínsecas [...].

Fonte: SACRINI, Marcelo. Perspectivas do gênero documentário pela apropriação de elementos de linguagem da TV Digital Interativa.




Agora, para visualizar melhor como poderemos estruturar a proposta de roteiro, vamos ler o texto Escrevendo um documentário, de Barry Hampe.


Para aprofundar podemos ler também Introdução ao roteiro de documentário, de Sérgio Puccini Soares.


E, em seguida, vamos desenvolver nosso exercício prático de elaboração de um roteiro.
Bom trabalho!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Dois ou três almoços, uns silêncios / Fragmentos disso que chamamos de "minha vida"

Caio Fernando Abreu

Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito joias encravadas no dia a dia.
Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

In: ABREU, Caio Fernando. Pequenas Epifanias. Rio de Janeiro: Agir, 2006.

Conto para discussão do Grupo 2: Suélen Junges, Eveline Peres, Martiolli Farias e Simone Moreira

quarta-feira, 27 de junho de 2012

No retiro da figueira

Moacyr Scliar

Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais – dizia o anúncio – onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade – e eram uns bons cinqüenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletrificada, das torres de vigia, dos holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos – mas amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade”. De fato: no decorrer da conversa ele mencionou – mas de maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez aumentar o entusiasmo de minha mulher.
Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu – tínhamos de mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
Foi então que enfiaram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher ficou encantada com o Retiro da Figueira. Meus filhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na firma. As coisas todas se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo enfiado sob a porta transformou-se – como dizia o texto – num novo estilo de vida.
Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa, profissionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido pelo lugar por causa da segurança.
Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de pessoas. Na minha firma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção cuidadosa de futuros moradores – e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando tudo muito bom. Bom demais.
Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã começavam seu afinado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem – sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores – para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu – tal como prometido no prospecto – num clima de sonho. De sonho, mesmo.
Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a cantar – soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um pouco assustados – um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago. Quase todos ainda de roupão ou pijama.
O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar, ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele domingo.
– Afinal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de tênis...
Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
Contrariados ficaram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair – os marginais continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam bloquear a estreita estrada do Retiro.
– E vocês, por que não nos acompanham? – perguntou o cirurgião.
– E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o chefe dos guardas estava com a razão.
Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós – amedrontado, pareceu-me – e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal. Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por nosso resgate. Uma quantia suficiente para construir dez condomínios iguais ao nosso – que eu, diga-se de passagem, sempre achei que era bom demais.

Conto para discussão do Grupo 1: Carla Aires, Luciana D'Ávila, Gisele Vargas e Angela Papaiani

Narrativas: história, memória, testemunho e literatura

Então, chegamos ao nosso último encontro!

Nele a Gisele nos apresentou alguns tipos de narrativas que comumente são utilizadas em documentários. Para rever a apresentação do encontro é só clicar na imagem abaixo.



Assistimos também a diversos vídeos:

Para refletir sobre a história, e discutir se existe um distanciamento entre história e literatura, assistimos ao vídeo O Império Romano.
Se historia é só realidade, e literatura é só ficção, como preenchemos as lacunas da história que não conhecemos?

 



Para discutir a diferença entre literatura de testemunho e literatura, entendendo que literatura de testemunho é uma história que passa a ser contada por quem esteve presente, enquanto a literatura com base em um fato histórico é apenas literatura, assistimos ao trailer do filme O menino de pijama listrado.

 


Para mostrar que todos os elementos estudados: literatura, memória, testemunho e história estão presentes na elaboraçao de um documentário, pois, apesar de ser uma realidade, não conseguimos nos desvincular de uma interpretação do autor, ou de momentos ficcionais, ou de um testemunho e uma memória de alguém que esta filmando, assim... todo documentário é, ao mesmo tempo que fiel a realidade, comporta elementos ficcionais, assistimos e discutimos alguns elementos presentes no trailer do filme A marcha dos pinguins.

 


E, por último, para discutir a diferença entre vídeo didático e documentário - entendendo que documentários não tem a função de ser didáticos, mas sim de apresentar um olhar sobre uma realidade... o que por fim, passa a ser didático, pois aprendemos com a realidade...


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ponto de Vista

Olá, pessoal!
Seguem os vídeos trabalhados respectivamente no último sábado 16 de junho:


Vídeo 2: História de professor



Vídeo 3: Revolta - professora Amanda Gurgel



A proposta desta tarefa é a seguinte:

Analisar o ponto de vista de cada vídeo, falar qual deles vocês apoiam e quais foram os argumentos que influenciaram suas escolhas.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Oralidade e escrita

Algumas questões merecem uma atenção especial na hora de pensar em escrever um roteiro de documentário. Ao longo deste projeto vamos refletir sobre algumas delas.
A partir do eixo “Oralidade e escrita”, pretendemos motivar a reflexão sobre a maneira como se aproximam e se afastam o discurso oral e o discurso escrito, em circunstâncias nas quais estes buscam dar conta do mesmo fato, são elaborados a partir da mesma motivação e pelo mesmo grupo.
Logo, na primeira parte de nosso encontro do dia 2 de junho, foi apresentado o filme “Narradores de Javé” e, em seguida, discutimos sobre algumas características desta narrativa.
Na segunda parte, o Martiolli propôs que relembrássemos algum fato da infância que fosse parte de nossa trajetória enquanto estudantes e o partilhássemos com o grupo. O relato foi gravado e deverá ser transcrito por cada um dos presentes.

Voltando ao filme “Narradores de Javé”, percebemos que diversos fatores externos influenciam na estruturação de uma narrativa oral e que existem diferentes tipos de narrativas (documental, memorialística, testemunhal, etc.), as quais são constituídas por elementos distintos. Logo, é necessário pensar também na relevância do ponto de vista para a narração, visto que a posição que ocupamos no discurso é determinante para a maneira como vamos interpretar e comunicar os fatos. Mas sobre isso discutiremos nos próximos encontros.
Por enquanto, vamos refletir um pouco mais sobre as questões apresentadas no filme?
E para quem não assistiu... fica a dica.




“Uma coisa é o fato acontecido, outra coisa é o fato escrito. O acontecido tem que ser melhorado no escrito de forma melhor para que o povo creia no acontecido.”

Para refletir: depois de ler a frase, assistir ao trailer e refletir, comente no fórum a afirmativa do personagem Antonio Biá a respeito do processo de escrita de um texto que até então pertencia a tradição oral de um povo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Como fazer Documentário


No terceiro encontro, contamos com a participação do professor Josias Pereira, do curso de Cinema da UFPel, o qual é também diretor cinematográfico e roteirista.

Além de partilhar conosco sua experiência, o professor Josias fez uma apresentação acerca do que é um Documentário. Sua fala foi dividida em três blocos.

No primeiro, ele abordou o Histórico do Documentário, no segundo, o Documentário Contemporâneo e, por fim, explanou sobre Como fazer Documentário.

Para conhecer mais sobre o trabalho do professor Josias são indicados os sites:

Roteiro de Documentário


Neste segundo encontro, introduzimos o tema "Documentário" por meio da palestra do professor Daniel Campos (SENAC) que falou sobre o que é um roteiro e nos apresentou algumas possibilidades de estruturação do mesmo.

Abaixo, segue o esqueleto da apresentação do professor.


Como elaborar um roteiro de Documentário


Documentário
É um gênero cinematográfico que se caracteriza pelo compromisso com a exploração da realidade. Assim como o cinema de ficção, é uma representação parcial e subjetiva da realidade.

Roteiro
É o trajeto detalhado entre o início e o fim de uma história.
É um documento narrativo utilizado como diretriz em cenas numeradas que descrevem os personagens e os cenários.
O roteiro inclui todos os diálogos, com indicações para os atores quanto à entonação da voz e à atitude corporal.  Além disso, informa o horário em que cada cena deve ser filmada ("dia", noite", "pôr do sol", "amanhecer", etc.) e se a cena é "externa" (filmada ao ar livre) ou "interna" (gravada em estúdio).
Cada página de um roteiro equivale a um minuto da obra filmada.

Estrutura para um roteiro
  • Ideia
  • Story Line
  • Sinopse
  • Perfil de personagens
  • Estrutura
  • Roteiro 

Ideia
Ter uma ideia é o princípio de qualquer roteiro, não chega a ser uma etapa propriamente dita, mas é o início do processo.
As ideias não surgem simplesmente do nada, existe sempre uma fonte de inspiração.

Story line
Significa a “linha da história”, ou seja, um resumo da história a ser transformado em roteiro.
Para criar um Story Line utilizamos de três pontos chaves:
  • a apresentação do conflito;
  • o desenvolvimento do conflito;
  • a solução do conflito.

Sinopse
É um resumo da história, de forma que deve conter apenas o que for importante, com as informações sobre os personagens principais e sobre o local onde se passa a história.

Perfil dos personagens
É composto pelo conjunto de informações físicas e psicológicas do personagem, podendo estar incluída a história ou antecedentes desta.

Estrutura
A estrutura é a divisão da história em cenários e cenas marcando o ambiente onde ela se passa e informando o que ocorre de importante neste ambiente.

Uma possibilidade simples de elaboração da estrutura é:
  • traçar uma pequena linha vertical;
  • no lado esquerdo colocar o número da cena;
  • no lado direito por o local onde a cena se passa, uma referência sobre a luz ambiente (interior ou exterior) e sobre o horário (noite ou dia);
  • abaixo deste cabeçalho colocar o que ocorre na cena (somente o que for importante).

Roteiro
O roteiro é dividido em cenas e contém:
  • a descrição dos ambientes e da ação;
  • o nome dos ambientes e personagens;
  • os diálogos e indicações para personagem;
  • a indicação de efeitos para transição de cenas.

Cada informação tem seu local específico.
O cabeçalho da cena informa: o número da cena, onde se passa e a luz do ambiente (interior ou exterior, noite ou dia).
Logo abaixo, vem a descrição do ambiente e da ação que está ocorrendo.
Centralizado, abaixo da descrição, o nome do personagem e embaixo dele a fala e a indicação para o personagem (quando necessária).

Abaixo da fala pode ter outra descrição de ação ou o efeito de transição para outra cena.

Segue o modelo para se escrever uma cena neste formato:

Cena XX                                 (ambiente/ locação)                           (luz do ambiente)
(Descrição do ambiente)
(Descrição da ação)
(nome do personagem)
(rubrica)
(fala)
(descrição da ação)
(efeito de transição)

Agora um exemplo de cena com os espaços preenchidos.

CENA 13                                Casa de Pedro – sala                                    int./dia
A sala é pequena e tem poucos móveis. Um sofá velho e uma mesinha de centro.
Pedro está sentado no sofá, lendo uma revista. A porta abre-se e Carla entra. Pedro joga a revista em cima da mesa.
Carla
Você queria falar comigo?
Pedro
(tímido) É que eu, eu.
Carla
(irritada) Eu o que? Pedro!? Pedro pega a revista, a abre e abaixa a cabeça.
Carla
Você é um palerma, Pedro!! Carla sai irritada e bate a porta com força. Pedro joga a revista no chão.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tradução intersemiótica

Como conversávamos em nosso primeiro encontro, um filme baseado em um livro, por exemplo, é um processo transcriativo, ou seja, um processo no qual uma pessoa ou um grupo de pessoas, criam um texto a partir da leitura feita do texto de um outro. Neste sentido, a imagem formada em nossa mente quando lemos um livro ou quando ouvimos uma música nunca será igual a de outra pessoa.

No texto "Tradução intersemiótica" (bem sintético pra compensar as quatro folhas lidas no encontro) vocês tem três dos exemplos de tradução criativa que estão disponíveis na internet e poderão facilmente encontrá-los.

Clique aqui para ter acesso ao texto "Transcrição intersemiótica".

Concentraremos-nos, para fins de análise, no primeiro. Assistam, por favor, os três vídeos abaixo buscando identificar quais os recursos empregados e quais os códigos envolvidos (pictórico, verbal, imagético, melódico etc).

Agora vamos partilhar as impressões que tivemos, as dúvidas e as ideias que surgiram?

Eduardo e Mônica (ATL Celular)

Eduardo e Mônica: o filme (Vivo)

Bastidores de Eduardo e Mônica: o filme